Depois de passar mais de um ano sem postar aqui, creio que já perceberam o que faz a falta de tempo. Ultimamente cortei minha veia literária, não que eu escrevesse exorbitantemente bem, mas eu tinha lá minhas atribuições de escrita bem definidas. A faculdade me sugou durante 2012, e sugou nada prazerosamente, meus caros. Além disso, eu estava trabalhando pra manter meus vícios, também conhecidos como necessidades; e fazendo das tripas coração para fazer alguma coisa no teatro. Ah, este! Em 2012 eu só fiz papéis que não muito se distinguem daqueles de árvore, mas enfim, eu não tinha muito tempo pra dar mais de mim mesmo. Ainda continuo amando o teatro, e meu pai se esforça pra me manter no curso, já que as mensalidades e taxas não são lá muito baratas. Mesmo assim, entrei para a faculdade de Ciências Sociais, como não relatei aqui, minha irmã me ajudou muito em todo o processo burocrático da PUCPR. Meu curso é difícil, complexo, cheio de detalhes e controvérsias, mas eu tenho contornado a situação com alguma regularidade, e cada dia me encontro mais fascinada com a dialética de cada teórico, e me perco em minhas assimilações de tais teorias com alguns eventos sociais, cotidianos ou não. Aliás eu devia fazer um estudo sociológico sobre aquilo que envolve essa minha permissão e naturalidade em expor minha vida, como nesse texto, na internet. Eu devia atualizar meu diário, sim eu tenho um e não, eu não tenho 15 anos. Continuo feminista com forte inclinação política socialista, embora não me considere de extrema esquerda, pois acredito que a humanidade ainda se encontra num período onde é muito cedo estabelecer uma posição política definitiva, uma vez que, do meu ponto de vista, a política ainda não foi descoberta por completo, tantos em termos de aparelhos ideológicos de coerção entre indivíduos desprovidos de noção de Estado, quanto em termos estritamente reduzidos a essa instituição possuidora do monopólio legítimo da força e poder - Estado. Mais uma coisa preciso deixar claro: acredito na existência de civilizações cuja organização política é totalmente diferente daquela que conhecemos, mas que caminham para a institucionalização de um modelo de Estado tal qual como os já existentes. Como diria Weber, o Estado é um mal necessário. Nossa, quase sem querer fiz uma reflexão sobre ciência política, a professora Samira ficaria orgulhosa de mim, e estou pensando seriamente em levar até ela esse meu ponto de vista. Daria um ótima discussão e por que não uma sugestão para o TCC? Estou um pouco decepcionada com o Teatro Lala. Há alguns dias, assisti ao espetáculo "Nossas mentiras, nossos pecados" cujo texto, se não me falha a memória é de Rogério Bozza e a direção de Marcyo Luz, que ainda em 2012 me dirigiu no espetáculo "Meu pai e minhas mães". Pois bem, a peça conta a história de um bordel cuja cafetina tinha algum tipo de envolvimento com um mafioso que queria sua participação nos lucros. Enquanto isso, duas velhas, vizinhas do prostíbulo, observam de suas janelas o cotidiano do estabelecimento, que elas julgam ser um antro de perdição, embora tenham vontade de participar de tudo aquilo e se entregar aos prazeres sexuais que há tempos não desfrutavam. A protagonista, que era a cafetina, foi interpretada por uma atriz perfeita, com um corpo maravilhoso, mas perdoem-me, era a pessoa mais sem sal para aquele papel. Enquanto isso, na figuração que formava as outras prostitutas do bordel, havia uma moça, com suas belas curvas e corpo um pouco acima do peso. Ela tinha uma presença sensacional e exuberante, além de uma desenvoltura e domínio de personagem muito destacantes. A partir disso, concluí: Não só Marcyo Luz, mas uma boa parte de diretores e professores desse teatro têm a péssima mania e mau gosto de escolher atriz pelo corpo. Não digo isso porque estou acima do peso, pois meu corpo em nada me incomoda, mas acho um desperdício de talento ofuscar o brilho de uns em prol de outros usando como critério seus atributos físicos. A arte, por muito tempo e em períodos que hoje muito são admirados, já muito usou como modelo corpos que hoje são considerados fora do padrão, e teatro é muito mais do que isso, a não ser que seja industrializado, aí é outra coisa. A indústria não tem piedade mesmo, e impõe os padrões de beleza mais absurdos possíveis. Chegou a parte que eu estava esperando pra escrever: sobre os amores de 2012. Surgiram alguns de 2011, outros até de 2010... Thaise, como já era de se esperar, nunca deu em nada. Num dia diz que me ama e que quer começar tudo de novo, no outro, some sem deixar vestígios. Depois de tanto esperar por ela, decidi que acabou... Aliás estou bem mais conformada com essas coisas ultimamente, parece que a cada tombo, a cada decepção se aprende algo mais, além de resistência. Agora, quase que já sei o que esperar das mulheres quando me envolvo com alguém, é como se eu soubesse a ordem natural das coisas de acordo com tudo o que já me aconteceu. 2012, creio que foi ano de mais decepções, e de mais alegrias na mesma proporção, porque as maiores decepções saíram dos maiores amores, das maiores felicidades repentinas. Era tudo bom demais pra ser verdade, ou pra ser verdade por muito tempo. Dentre tantas, a que mais me marcou e é também a decepção mais recente foi Beatriz. Amei essa menina no mínimo de tempo e com o máximo das minhas forças, aí no final ela me troca por outra, simples assim. Agora, depois que tudo quase superado, estou mais conformada e mais calma. Em meus momentos patéticos de reflexão, formulei uma teoria ou um simples pensamento sobre o amor, acessível
clicando aqui. Depois de tudo isso, de todos esses acontecimentos e todo o estresse de estar muito ocupada, fiquei até meio desacreditada de Deus. Como dizíamos, eu e Guaraci: Se Deus existe é pra cagar na nossa vida. Blasfemamos. Outra cosia que tem tomado conta de meus pensamentos é sobre minhas crenças e religiões. Não consigo admitir que tenho uma religião e por outro lado nunca sei que dizer quando me perguntam se acredito em Deus ou qual é minha religião. Gostaria de dizer que não tenho religião, sem ser chamada de atéia. Não que eu não acredite em nenhuma das religiões, só não quero ser de nenhuma, entendem? Acho que escrevi muita coisa, que ninguém vai ler mesmo. Da mesma forma, amei desenvolver meus pensamentos por escrito mais uma vez. Se eu lembrar de mais alguma coisa, edito essa postagem. Obrigado pelas facilidades, internet; obrigado pelos obstáculos, 2012.