sábado, 21 de agosto de 2010

Sakineh

A iraniana Sakineh Mohamadi Ashtiani, de 43 anos, está no corredor da morte. Nos Emirados Árabes Unidos, uma brasileira de 14 anos foi condenada a seis meses de prisão. As também iranianas Mariam Ghorbanzadeh, 25, e Azar Bagheri, 19, viram a morte soprar baixinho no pé do ouvido, mas conseguiram escapar. Sakineh não deve ter a mesma sorte - a qualquer momento, ela pode ser apedrejada até a morte, enforcada ou morta a tiros pelo governo de Mahmoud Ahmadinejad. O futuro da brasileira, por sua vez, é incerto. A menor é acusada de fazer "sexo consensual" com um paquistanês de 28 anos e ter combinado um encontro com ele por meio de mensagens de texto consideradas "eróticas".
Diante desse fato, o Birosca lamenta: não somente na religião muçulmana a mulher é inferiorizada e maltratada, mas sim no mundo todo. Infelizmente, os humanos tratam as mulheres como inferiores dentro de suas sociedades, de forma que a mulher é considerada mais fraca, menos inteligente, menos capaz, e o mínimo de feminismo manifestado é motivo de piada. E na verdade não é e nunca foi assim, afinal que dá origem à vida e suporta dores horríveis são elas, enquanto os homens não sentem nem um pouco desses incômodos femininos, e tenho certeza de que se sentissem, não aguentariam nada.
Claro, que na religião muçulmana a situação é muito pior, como percebe-se no caso de Sakineh. Mas infelizmente, no Brasil por exemplo a coisa não muda muito de figura, apesar de ser mais amena.
Há quem diga, do universo feminino que é a primeira mulher a fazer isso ou aquilo, quando isso não devia ter a devida importância, não sendo contraditória birosqueiros, mas por exemplo: "Serei a primeira mulher presidenta do Brasil". Ou, quer dizer, ela não foi a primeira presidenta, porque um homem já ocupou esse cargo, esse tempo todo ela teria sido inferior, e compactuar com essa ideia de "primeira mulher a fazer tal coisa", é no mínimo ser conivente com o machismo imperante de muitos anos a fio.
O pior ainda é que, muitas mulheres, de tanto serem tratadas como inferiores, e também por serem criadas em suas respectivas famílias com a ideia de submissão; quando descobrem a existência de um pingo de machismo sequer, não fazem nada mais do que se rebelar colocando a roupa curta que sua família até então proibia. Precisamos de bem mais do que isso, uma verdadeira revolução, uma revolta em massa, da quebra de vários outros preconceitos e tabus que também estejam ou não ligadas ás mulheres. É bem mais do que não se submeter, é bem mais do que se dizer livre, é ser livre.
Sem mais.